Repostando - Educador?

Encontrei em meu antigo blog esse texto, datado de 27 de janeiro de 2006, que retomou alguns pensamentos importantes. Resolvi postá-lo novamente, dessa vez aqui, uma vez que dia após dia volto a me deparar com essa grande questão: ser educador.

"Cá estou eu, mais uma vez, de volta de viagem, para falar da dificuldade que é lidar com seres humanos. Percebi que, desde que entrei na FEF, muita, mas muuuuita coisa mudou na minha vida. Graças a Deus, amadureci tanto em relação a algumas coisas... algumas coisas que hoje considero primordiais na vida de qualquer ser humano. Nesses 3 anos de faculdade, percebi que trabalhar com pessoas, especialmente crianças, era algo muito além do que eu imaginava. É uma tarefa muito mais difícil, muito mais delicada que qualquer outra. Lidando com seres humanos, estamos lidando com uma complexidade absurda! Quando penso em padronizar uma aula pra 100 pessoas, completamente diferentes (não só fisicamente, mas com diferentes interesses, diferentes pensamentos, princípios e problemas), quase fico louca. Mas enfim, este não é bem o ponto ao qual eu queria chegar. O fato é que, além de tudo isso, acredito que o fator que mais influi nessa tal complexidade é uma coisa que nós humanos temos a todo momento, chamada sentimento. Acho que já mencionei antes o quanto sou fascinada pela mente humana. Já parou pra pensar no que está por trás dos traumas? No porquê de uma pessoa ter tanto medo de uma coisa aparentemente inofensiva? Isso não é intrigante demais? E já parou pra pensar porque é que algumas pessoas são extremamente frias, enquanto em outras (dessas quais eu sou um exemplo claro) os mais diversos sentimentos vêm à tona com o que poderia ser uma simples palavra? É dessa complexidade e diversidade que falo. Deus nos fez de uma maneira sábia demais: cada ser é único, e é por isso, e unicamente por isso, que nossa raça sobrevive até hoje. Pense em quantas pessoas são necessárias na sua vida para que você passe um dia bem! E não estou falando simplesmente de necessidades afetivas, mas de todas elas! O seu alimento, sua casa, seu emprego: tudo dependeu de outras mil pessoas para estar ali. A questão é: seriamos nós, então, seres incompletos? É claro que sim. Admita. Você não é NADA sem as pessoas ao seu redor. O difícil é fazer com que toda a população mundial compreenda este fato. Somos egoístas demais, preocupados demais com nossos próprios problemas para assumir: somos incompletos! Talvez, se todo mundo pudesse assumir, seria mais fácil conviver em sociedade, e este é o ponto no qual eu quero chegar: Compreenda a outra pessoa como diferente de você, e aprenda a ver a beleza que existe nisso. Compreenda que, por mais engraçada que seja a piada, ninguém gosta de ser inferiorizado por ser diferente. Pense no que você sentiria se estivesse no lugar do outro. Pare e reflita: você é incompleto! Então, entregue-se às outras pessoas. Agora, pare e reflita em um segundo nível: A outra pessoa também é incompleta, então, sempre que puder, ajude-a. Quando penso nisso, uma outra coisa me surge em mente: enquanto em função de educadora, se eu conseguir, nem que seja parcialmente, fazer com que crianças com que eu trabalharei compreendam isso, me sentirei totalmente realizada. Percebo que esta é uma tarefa tão difícil que já não sei se sou hábil para ela. Incompleta. Talvez uma outra pessoa seja melhor que eu para isso. Foi exatamente todo esse raciocínio que me fez optar: primeira opção, bacharelado."

4 comentários:

Bruno Gobbi disse...

Xiii.... eu fiquei com medo d ser educador! Mta responsabilidade...
Como eu já te disse Xu, vc é forte, vc é linda, vc pode tudo...é só acreditar!!!

Estou aqui pro que der e vier... te amo pra sempre!!

=***

Unknown disse...

Compartilho desse seu facínio por compreender a mente humana!^^ E de fato, somos incompletos. Acredito q não só com relação a afetividade e obtenção d alimento, etc, como descrito, mas também qt ao conhecimento d sí e do mundo. Como todo animal, necessitamos d um grupo que auxilie na sobrevivência. Só q essa racionalidade, grande diferencial entre o ser humano e outras espécies, é o que complica, principalmente com relação a esse seu ponto abordado: ser educadora. Fazer com que um grupo d pessoas, diferentes d idéias, t ouçam e aceitem ou acreditem no q vc está falando, não é tarefa fácil. Mas qd feito com vontade e determinação, prestando atenção nas falhas e dificuldades, se não de cada um, pelo menos da maioria, e sua própria, é possível cumprir essa tarefa. De fato, não é fácil, mas é extremamente gratificante qd vemos q pelo menos uma pessoa conseguimos ajudar de fato. Abrs!
PS: O Bruno q me indicou seu blog e achei interessante ;)

Anônimo disse...

Existe uma teoria que tenho estudado na facul que faz compreender um pouco como é que as coisas acontecem e como se gera sentido, num discurso. Sei que o modelo é meio simplório demais e aplica-se somente ao discurso, mas é muito interessante ver como o autor aborda os preceitos para que as ações se desenvolvam numa narratividade; e sabe o que gera qualquer ação? É o que eles chamam de paixões . Na teoria deles (e que eu acho que se aplica muito à ação humana), toda ação provém de uma paixão, de um querer, e a partir desse querer, as coisas são manipuladas. Tenho um livrinho de 90 páginas sobre isso, quer ler? Sei que é restrito, mas pode ser aplicado ao mundo, o que vale demais...é muito legal....
enfim, é sempre bom poder refletir sobre como lidar com pessoas...e feliz ou infelizmente esse é um carma que está em nós duas...só espero que não acabe em desilusão...

Unknown disse...

huaheuaehauhh... axei esse exemplo d comentário mto bom!!:
" "Miau" o gato. "au-au" o cachorro. Agora é sua vez:"

Bom, o negócio é o seguinte... como diz uma famosa frase... "está na hora de deixarmos de sermos egoístas e pensarmos um pouco mais sobre nós mesmos"