Saudade infinita

Acho que todos já sabem ou imaginam que perdi recentemente uma grande parte da família, minha pequena cadelinha de raça poodle-estranho e cor preto-desbotado.
A dor que senti e ainda sinto é simplesmente milhões de vezes maior do que eu achei que seria. É algo que ninguém no mundo que não tenha passado por algo parecido poderia imaginar... é algo que eu não poderia imaginar.
Foram 15 anos de companheirismo infinito. 15 anos em que, todos os dias, quase sem exceção, me despedi dela antes de dormir e fiquei feliz com ela ao acordar. 15 anos em que, quando chorei, ela sempre esteve deitadinha ao meu lado na cama; quando sorri, sempre esteve tão contente quanto eu. 15 anos em que sempre quando eu chegava em casa, era recebida com abanos de rabo e lambidas infinitas, como se eu fosse a coisa mais importante do mundo pra ela.
Na última semana eu a vi demonstrar um carinho incomum, depois “se calar”, e depois sofrer intensamente até a morte. E sempre, em todos os momentos de minha vida, fui a favor da eutanásia animal, até mesmo de formigas e seres mais inexpressivos, mas o fato é que não tive a coragem necessária de fazer isso com ela. Foi como se eu quisesse loucamente gritar o mais alto possível e soubesse que era o que tinha que fazer, mas algo me impedisse de fazê-lo. Como se fosse tão simples quanto piscar os olhos, mas ao mesmo tempo tão irreal e impossível de se fazer quanto tirar a vida de uma pessoa sadia. Talvez agora que tudo acabou, isso seja o que mais me doa. Eu não consegui gritar.
Tudo aconteceu na quarta-feira. Hoje e só hoje senti que pude realmente compreender tudo o que aconteceu. E me sinto infinitamente menos desesperada do que então, mas também infinitamente mais deprimida. Hoje cheguei do trabalho e senti a saudade mais dolorosa de até então. Todos os dias em que chegava, me deitava no chão exausta pelo dia, e imediatamente ela corria pra perto do meu rosto e tentava me lamber, e eu a abraçava e a acarinhava freneticamente, aproveitando a sujeira em que se encontrava minha roupa e meu corpo. Todos os dias. Menos hoje. Menos em todos os próximos. E isso me entristeceu de tal forma que não pude evitar cair no choro novamente, bem quando acreditava que a ferida já estava cicatrizando.
Mais do que qualquer outro momento de minha vida, esse é de longe o mais triste. E sinto um certo desconforto com isso. Algumas pessoas devem pensar: “mas era só um cachorro...”, mas pra mim era muito mais do que isso. Era como um anjo que veio e passou 15 longos anos alegrando infinitamente a minha vida e que, súbita e inexplicavelmente, não é mais. Como se arrancassem à força um sorriso que habitava meu rosto há quinze anos. Como se uma parte importante de mim tivesse se perdido sem dar aviso.
Acho que as saudades serão eternas, e se isso é assim, não quero nem imaginar o que deve ser perder uma pessoa próxima.

2 comentários:

Bruno Gobbi disse...

Mas FOI como perder alugém próximo da família.

=(

Sem palavras xuxu, do quanto eu to sentindo essa perda também.

Amo muito você e amava muito a Bia também...

Força.

disse...

=[

Poxa...o texto é lindo...e triste! Imagino o vazio q esteja sentindo! Mas...fique com os 15 anos de momentos bonos !
Beijos, prima!