Mistérios da vida

De volta aqui no blog, depois de tanto tempo, pra falar de coisas que sabemos sem compreender. Mais especificamente, uma dessas coisas, a morte.
Perder um ente querido é sempre uma dor. Saber que essas coisas acontecem e sempre vão acontecer é simples, mas compreendê-las me parece extremamente difícil quando elas acontecem com você.
Recentemente, para quem não sabe, perdi a minha avó materna. Uma pessoa não tão próxima quanto algumas avós são, mas ainda assim, muito querida e especial. Já faz uma semana mas, toda noite antes de dormir, as lembranças insistem em se fazerem presentes como se, de propósito, quisessem me fazer sofrer ainda mais.
Em um momento, ali estava ela, serena como sempre, sorrindo numa alegria imensa por ver filhas e netos todos tão próximos. Aquele sorriso era como se nos dissesse tudo sem precisar de palavras. Com certeza amava imensamente aquela família cuja existência era em grande parte obra sua. Era presença e agora, subitamente, é ausência.
Desconcertantemente, não é a simples ausência que dói mais, mas sim saber que, na realidade, é uma ausência permanente. É saber que nunca mais estará ali, naquelas entediantes festas de família, com seu terno sorriso, para perguntar se a cobertura do doce era pipoca. Saber que nunca mais o telefone vai tocar com ela perguntando que dia da semana era. Saber algo tão óbvio mas ao mesmo tempo tão doloroso: ela se foi, não volta mais. As festas de família serão, daqui pra frente, sempre envoltas de saudade. Meu avô será sempre um, e não dois.
Trazemos conosco, cada um de nós, filhos e netos, pequenos e belos pedacinhos dela que sempre serão lembrados.